terça-feira, 27 de janeiro de 2009

sinGela

Encontro-me nos lençóis da amizade
E neles me deito bem amparado.
Sinto os resquícios do calor
Deixados como rosas ao sabor
Deste meu corpo. Seu utópico amado.

As injúrias que ceifam a vida
Dos muitos que não tem força de viver.
No entanto sou barco longe de ti.
Longe da terra. Ancorando por ai
Deixo simples mensagens para ela ler.

Ela! A minha rompante satisfação
Que imagino próximo do meu mar.
Sua alma, acolhedor corpo de mulher,
Seu animo, …, lava de puro prazer!
Onde por sonhos me deixo levar.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Triste sabedoria

O esboço que faço de mim
Será sempre um rascunho cheio de erros.
Sou pessimista, quero ser.
Viver para sofrer e roer a alma.
Desfazer-me do meu corpo era sonho.
Sonho que não quero apressar…
Mas com tempo hei-de apreciar a predilecta falha
Do meu raciocínio! Hei-de ser sem corpo.

Olho para vós e não vejo nada
Olho, volto a olhar e vejo um aglomerado de pedras!
Sois mortos da luz, sois vivos da traição,
Sois seres medíocres sem poderes. Sem nada!
Sois merda nos cantos da retrete, nojentos sem saber.
Despegai-vos de mim, saí de minha beira.
Quero estar só! Saí!

Grito alto de baixo! Ahhhh! Adeus!

Corto-vos, mato-vos, sois podres em pensamento.
Sofrimento? Quando quero tenho.
Quando não quero fico com ele!
Quero paz! Dai-me paz! Ahhhhhh!
Sois credos perdidos. Quem sois? Quem serei?
A quem amei? Sereis reais?

Eu sinto o toque. Eu sinto-vos.
Sonho ou vivo? Desgraça a minha…
Não sei! Quero saber! Quero saber!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tempo do amor

Não é por pertenceres ao passado que te recordo,
Mas por seres presente, que te lembro casualmente
Sonho com gestos do teu corpo sobre o meu
Continuados e divinos, que me dão o ceu

O sempre, é o futuro em que te pretendo
E que não te quero ver,
Por isso te dediquei o meu corpo
Para lá te esconderes

Sentir-te-ei, para que me continues a ceder
Esta alegria que sendo já tua, te quero devolver
Para que seja sempre incansável e eterno o amor.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Breve mas puro, breve mas claro.

Que sonhos de mil sóis me ceguem
Luzes apaixonantes de um qualquer horizonte
Que visões de dois corpos a mim se apeguem
Quando sedento beberei de tua fonte

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Paleio de engodo

Quero-te dizer uma coisa… Deixa-me dizer-te uma coisa. Estás a ouvir-me? Calo-me no meu silêncio absoluto e conto os segundos da transição entre vermelho e verde. Estava a olhar para um semáforo. Por muito mais estúpido que fosse eu gostava. Sentia-me bem ao brincar com aquelas luzes sequenciais que me fodiam a cabeça mais do que já estava. Ao menos não pensava noutras coisas…

Quero-te dizer uma coisa… Já posso? Nada… Eu só queria o teu apreço em forma de resposta. Queria ouvir um sim e/ou um fala lá. Mas nada… nada. E continuei nos meus olhares tímidos e discretos para os objectos que me rodeavam. Ficou tudo estranho a mim. Tudo que via era novo. Estou parvo… sou parvo… O que estarei eu a fazer no meio de uma conversa entre duas pessoas que basicamente se estão a cagar para mim? Eu só queria contar uma coisa. Uma coisa que eu queria contar. Mas…

Voltei a repetir vezes sem conta a mesma frase. Ninguém me quis ouvir. Ou pelo menos tu. Queria, especialmente, que tu me ouvisses. Os tomates é que me ouviste. Cagaste para mim. Não gostei. E fiquei fodido por te querer contar uma coisa. Uma filha da puta de uma coisa. Tudo que disse não ouviste. Serei mudo? Ou tu serás uma pessoa mouca?

Também já não interessa… Já não te quero contar a coisa. Fica a coisa para mim. Sou invejoso. Podes-me mandar foder, não queres?... Que pena! Agora que estou ainda mais fodido não me queres massacrar mais! Se fosse a ti massacrava! Perdido por cem, perdido por mil. Anda cá ó Caronte e leva-me para onde moras. Já estou cheio desta merda.


Estás chateado? Estava com as mãos nos bolsos. Apenas fiz um movimento de ombros de desconsolo. Era um tanto me faz. Nem tentei olhar para ti. Estava amuado é claro que estava. Agora sentiste. Agora já é um bocadinho tarde, mas… Enfim…

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Composto da tua composição

Ah vento, dos exiguos dias de sol do inverno
Afaga a tua dócil mão
A pele que se abre a ti descarnida de pruridos
E sente em plenitude o sabor da tua composição

Ah folhas, seres de mil tipos de mil nomes,
Designios cientificos que desconheço, que importam os nomes? Importa a alma!
Dancem para mim nessa porção de terra a quem vossa mãe beija
Regalem meus olhos e alberguem todo o campo de visão
Que há muito se espreguiça e dormita no calor envolto de teus braços
Enternecido perco-me no sono, pende a minha cabeça na almofada da tua mão

Ah sol, porque tua redoma agracia apenas parte e não um todo?
Porque deixas terras ermas sob tutela de sombras?
Que decreto distribui a tua tão natural função?
Não o sei, caminharei sem o saber, descansarei ignorante de tal
Levo-me levando-te comigo a quem a sombras está remetido
Não recuo nem condeno a ninguém esquecido
Tomo parte pelo um todo
Erradico vultos de solidão
Sou a parte de um todo
Composto da tua composição

Prenda de Natal

Pelos laços enormes, dados e criados
Pelos papel que em mim desempenhas de forma fenomenal
Que envolve esse teu corpo doce e torrado
És tu sem duvida, meu amor, a melhor prenda de Natal.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cor do Amor

Serás branco tu oh amor?
Ou serás de cores mortas que te dão vida
Serás de cores minhas que são tuas
Serás de cores pálidas pintado
Com outras vibrantes ao lado
Serás cor e não tinta
Serás antes os laços e gestos
Feitos por quem te pinta.
Mas és também preto quando te quero branco
E branco quando não te quero.

Não quero tintas, mas quero-te com cor
Cores fartas que se forem unidas,
Mostram os beijos mas também as feridas.
Se tiveres cor, serás tudo...tu oh amor!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Dedicarei ao amor sentimentos, momentos e palavras da mesma forma como desenho uma semi-recta…com principio mas sem fim.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A éfemera

Ah!...Como a vida se prende
Nos ramos da ansiedade
Luzes e cores
Acções...
Ora presente, ora passado
Questionando a sanidade.

Tudo é vida...periclitante
Quando neste rosto, que é nosso fado
Ressoa o cântico do trovante
Anunciando:
-O rosto do futuro chegado.

Bebe-se quando já muito se está embebido
Os demais vicios
Que palpitam na língua
Acorda-se quando já tudo se tem esquecido
E pela janela, entra (só) uma ténue luz míngua.

Atónitos, ávidos de angústia
Abre-se a custo o baú da memória...
Que agora emperra!
Viram-se páginas...
...Retomam-se capitulos....
Do livro que em nós se encerra.

domingo, 23 de novembro de 2008

Sintoma crónico

Atinge, consome e corrói.
É faca que se espeta,
É coração que dói,
É arco e seta.

Envolta de tristeza
Doença do diabo,
Que se senta à mesa
E dita nosso fado.

Cresce a impaciência
E a agonia na vida.
É má. – Diz a ciência.
Diz a dor – É querida!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Soneto III/IV

As luzes iluminam o caminho
Da sombra desenhada a traste escuro
Dueto que é a imagem deste mundo.

O sofrimento é tal de estar sozinho
Que exalta-se alegria do ser puro
Sou só sem o ser. Sou um poço profundo.

Pareço pouco e penso talvez porquê
Bom senso quando como o é viável
Daquilo construo isto. Cegos o vê
Do antes faço o depois do erro ajustável.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008



Reticências...
Assim deixo este post.Para que dele seja feita a vossa vontade.
E sem mais vos deixo, ficai perdidos nas reticências de um olhar...
...de uma apaixonante apóstrofe emanada pelas vossas cordas, desenhada no afastamentos dos lábios e por fim, já estes juntos, culmina na interjeição suave de um suspiro...
...ou então para os mais ousados, deixem o redor reticente, pela irreverência de uma onomatopeia vinda das reticências desse tremor, que num aceso devaneio foi sentido e explodido, emergindo na sonora invocação do vosso profundo.
Sem mais meus caros me despeço, sem mais, com toda a emoção reticencial que me seja permitida empregar:


Ficai comigo, no lugar onde são mais fertéis os espaços entre cada um dos pontos que compõem a sinfonia de uma reticência do que em qualquer sensação alarve de espanto, que possa despontar um ponto final.


s/ título

Já não lembro os prados, meu amor
Agora que o coração se rodeou de fragas
Já não lembro porque me perdi por muros de xisto negro
Porque fiz por colher frutos do bosque e os escondi de ti.
Já não sei se de cesta cheia olhei para trás
Se olhei, não me lembro.

Estou absorto em bagas ébrias
Perdido no azul silvestre das sombras
Onde a solidão é ribeiro frio
Que corre os ossos, água entre as pedras.
As migalhas que me levavam a ti, comeu-as o bico do tempo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Estava eu sentada e atenta aos meus trabalhos quando subitamente uma voz fina e humilde me chamou. Assemelhava-se a um apelo de socorro. Quando levantei a cabeça e olhei na direcção daquela voz, deparei-me com uma pessoa a chorar. Dirigi-me a ela e não lhe disse nada, limitei-me a contempla-la, quando de repente, ela, num gesto brusco, me estendeu o seu caderno com um texto escrito. Quando acabei de o ler, o vazio que se tinha instalado em mim, encheu-se de palavras, pensamentos, citações...

Essa pessoa encontrava-se deprimida, preenchida de desespero, sem bússola, sem memórias, sozinha...completamente só. Sem saber o que dizer escutei atentamente o seu desabafo daquela alma desorientada. Só eu sei o quanto ela estava triste, só eu sei o motivo da sua tristeza.

Então um peso enorme abateu-se sobre mim, mas foi quando eu me lembrei de todas aquelas palavras que estavam dentro de mim e que finalmente ganharam um sentido, que eu ganhei ânimo para a ajudar a libertar-se daquelas correntes que a aprisionavam. No entanto, aquele ser nao se queria libertar, e eu, sozinha, não tinha forças suficientes para o ajudar.

Foi quando a palavra desistir começou a ganhar vitalidade em mim que aquele pedaço de carne imperfeita ganhou vida. Quando eu olhei para ela, ela esboçava um sorriso, e aquele simples traço facial fez regressar uma alma que se encontrava encurralada no turbilhão do mistério do ser.

domingo, 9 de novembro de 2008

*2

se voltarmos, será de carnes nobres o banquete de palavras

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Imbuído

Gritar de um torre
Gritar panóplias de sons,
E cores e ah!...Desejos
Gritar imbuído em desejos
Tal louco que em nada mais crê
Qual insanidade, qual irracionalidade,
Qual quê?
Sou bárbaro gritando forte
aos ouvidos de quem não vê!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Talvez, XXXI

Como eu gosto de estar aqui contigo
Olhar para ti e para o mundo,
Ouvir-te e cheirar-te e tudo mais.

Sinto-te próxima.
Eu toco em ti
Cresçe e aparece tudo belo em mim.
Tão tranquilo!

Minha natureza
És tu rapariga
O teu ser humano
Ou ser divino
Ou o que seja...

Apenas quero estar contigo
Rodeado pela luz quente do dia
Mas esta que não me cege
Pois eu quero ver.
E quando o sol se deita
Sou uma pedra
Frio, sozinho e cego
Acaba-se o momento...
E durmo. À espera que mais tarde
Meus olhos consigam ver.

Tenho pena de ter memória
Não que seja má nem triste
Mas por ela ser boa e alegre.
Pois cada vez que não te vejo
Nem te ouço, nem te cheiro, nem te toco
Eu penso naquelas memórias
E sinto a angústia e a dor e a saudade.
E se não me recordasse
Seria sempre feliz
Pois sentia a natureza naturalmente.

sábado, 25 de outubro de 2008

Vivo!

Vivo, espalhando brasas para que tudo se aclare
No caminho de chamas
São elas soberanas
Para amor se conjugar

Num verbo indefinido
Sem primeira nem terceira pessoa
Há apenas o desconhecido
E o som que em nós entoa

Um passo seguindo um outro
Remexendo no baú passado
Da memória…
Sentindo o que queremos
Descobrindo o que não vemos
O amor é a nossa glória!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

má altura para os títulos de amor

não será do subprime ou do preço do petróleo mas há muito que o nosso amor entrou em recessão. por muito que lhe injectemos palavras, ditos feitos, sorrisos e beijos, temos o coração em colapso e uma vida em hipoteca.